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querotrazerapoesiaparaarua

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As lágrimas não esgotam a dor

Flames

 

As lágrimas não esgotam a dor

A solidariedade conforta

Mas não traz de volta

Os que nas chamas pereceram

 

As análises da situação

Serão estéreis e fúteis

Se delas não surgirem

Medidas concertadas

Para minorar um flagelo

Que anualmente destrói

O território pátrio

 

É preciso, que o povo se responsabilize

É preciso, que os governantes actuem

É urgente, exigir soluções

É urgente, gritar

Basta! Nunca Mais!

 

Ana Wiesenberger

20-06-2017

 

 

As Mães são Fadas

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As mães são fadas

Que voam em torno de nós

Como luzes mágicas

Para afastar a escuridão

Das nossas vidas

 

As mães são abelhas incansáveis

Que nos alimentam os dias

Que nos vestem de coragem

Que nos embalam os medos

Que nos ajudam a definir trilhos

Que têm o condão de quase sempre saber

Onde nos dói, porque nos dói

E a loucura de querer encontrar

O bálsamo para todos os nossos males

 

As mães não nasceram mães

Não puderam aprender em lado nenhum

A serem mães

As mães são humanas investidas pela magia do amor

Que as transforma em fadas

Mas nem as fadas alcançam a perfeição

Todas fazem erros e sofrem por errar

A falta de formação ou o cansaço fá-las, por vezes, baralhar

 

Quando caem em si e reconhecem o desacerto

Lançam-se de novo a inventar estratagemas

Redes de segurança para nunca mais

Nos deixar cair ou magoar

E continuam em torno de nós a voar

Com as asas já amarelecidas pelos anos

Todavia, dispostas para a sua missão continuar

E ficam tristes e desiludidas

Se de nós as queremos apartar

Nem que seja para as agruras das horas, delas poupar

 

As mães são fadas

Que iluminam a nossa existência

Com o calor do sol que a vida gera e sustém

Com o calor do fogo que nos define enquanto gente

Que conjuram a escuridão para longe de nós

 

Ana Wiesenberger

07-05-2017

 

Imagem - Auguste Renoir

 

 

 

A vida é o salão de casino exuberante

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A vida é o salão de casino exuberante

Onde todos queremos ganhar

Amor, fama, riqueza, felicidade

Esse pássaro raro

Que alguns juram ter visto

E outros assumem como um mito

Passado de geração em geração

Para estabelecer um objectivo comum

Na disparidade das mentes

 

Jogamos sempre

E o balanço dos dias

Ora nos traz tristeza ou alegria

Proximidade ou distância

Do patamar onde queremos chegar

 

O tempo é uma gazela veloz

Que atravessa as estações das idades

E nos leva à presença do grande ceifeiro

Que em jeito de croupier nos diz

Faites vos jeux, mesdames et messieurs

E o terror só se apodera de nós

Ao vermos o movimento da roleta cessar

E a marca no nosso número ficar

 

 

Ana Wiesenberger

17-03-2017

 

Imagem – Edvard Munch

 

 

Já não sei, se sou o martelo

strong-dream-1929(1) Paul Klee

 

Já não sei, se sou o martelo

Que teima em se abater sobre o prego

Se o prego que entorta

Mas se recusa a entrar na madeira

Como dele, aliás, se esperava

 

São muitos os dias

As cores e os sons confundem-se

As normas são para ser quebradas

Às vezes?

Muitas vezes?

Nunca?

 

A arma do crime estava na sala

Mas ninguém a viu

Era um pequeno coração de ouro

Encerrado numa caixinha bege

Com o nome da ourivesaria

Que entretanto, já não existia

Falira sob o peso

De tantas juras de amor

 

 

Ana Wiesenberger

27-03-2017

 

Imagem – Paul Klee

A poesia é a água cristalina

Raja Ravi Varma

 

A poesia é a água cristalina

Que jorra leve e livre

Da cascata do Eu recluso

Que em nós vive

 

A poesia é o grito

Feito de sombras e de fogo

De lágrimas retidas no silêncio

De mortalhas dos sonhos

Que em nós sepultámos

 

A poesia é Sol, luar

E também chuva

E murmúrio com maresia

Restolhar de folhas

Leque caprichoso

Com que o poeta

Nos deslumbra

Ao abrir e fechar

As emoções dentro de nós

 

Ana Wiesenberger

21-03-2017

 

Imagem – Raja Ravi Varma

 

 

Bom dia, Morte!

800px-Vincent_van_Gogh_-_Head_of_a_skeleton_with_a_burning_cigarette_-_Google_Art_Project

 

Bom dia, Morte!

É altura de conversarmos;

Estou farta do teu cinismo

Do teu rosto fechado, impassível

Perante a merda das tuas escolhas

 

Mas, afinal, que raio de porra

Te passa pela caveira?

Tomas drogas? Bebes demais?

Ou és meramente negligente

Preguiçosa demais para pensar

Medir situações, avaliar?

 

A tua cegueira enfurece-me

Levas crianças, jovens

Gente de boa-fé

Que em nada prejudicou os demais

E deixas para trás criminosos

Que espalham sangue e dor

Que destroem e aniquilam

Lentamente ou de uma só vez

Tantos seres frágeis e inocentes

 

Estás a rir-te da minha audácia?

Não tenho medo dos teus ardis

Podes cortar o fio da minha respiração

De um só golpe

Mas nunca poderás apagar

As palavras que escrevi

 

Ana Wiesenberger

17-03-2017

 

Imagem – Vincent Van Gogh

 

 

 

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