Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

querotrazerapoesiaparaarua

querotrazerapoesiaparaarua

De Costas Voltadas Para A Vida

Jiri Borski

 

De costas voltadas para vida
Passamos os dias entre ninharias prementes
E mal-entendidos que criamos
No nosso afã de fazermos de conta
Que somos importantes

E ignoramos o peso das horas
Que não vivemos
Para ver, compreender, crescer
Até que tudo nos parece sórdido, pardacento
Ignóbil e fútil

Quando nos lembramos de agarrar
O fio dos dias
É em arranques inconsequentes
Numa vontade infelizmente intermitente
De sermos singulares e verticais

E o tempo desliza
Os anos passam sem acenarem
E quando damos por nós
Já avistamos o cais derradeiro
E descobrimos que não fomos
Não fizemos
Não deixámos nada a assinalar a nossa presença
Num território que por décadas
Nos foi dado ocupar

É urgente aprendermos a vestir convicções
Nos nossos gestos, nos nossos passos
Não desperdiçar a oportunidade de sermos voz
De sermos balada, sinfonia
Em vez de requiem adiado
Na flor das idades
Que julgámos viver

Ana Wiesenberger
22-03-2014

Imagem - Jiri Borski

Portugal, meu amor

Diego Rivera

 

Portugal, meu amor
Meu destino por cumprir
Sebastião amordaçado na memória
Mensagem num horizonte sempre longínquo
Gaivota triste em cais de fome

Portugal, meu amor
Minha pátria dos que partem
E dos que esperam
Por melhores dias
Que tardam em chegar

Portugal, meu amor
Das gentes desavisadas
Das gentes desabituadas
Da coragem de dizer NÃO

Portugal, meu amor
Do povo amortalhado em tristeza
Confuso no seu viver dos dias
Que chora para dentro
Envergonhado demais para confessar a dor

Portugal, meu amor
Liberta-te do Fado
Solta o teu grito
Dobra novamente o Cabo das Tormentas
Constrói a Boa Esperança com afirmação
Derrota os conformismos malfazejos
Os brandos costumes
Cabresto infame da razão e do caminho
Silêncio de vítima por preencher com vontade
E determinação

Portugal, agarra a hora
É sempre mais tarde
Mas nunca é tarde demais

Ana Wiesenberger
14-03-2014

Imagem - Diego Rivera


Gosto do Fantoche de Mim

Magritte

Gosto do fantoche de mim

É tão perfeito, tão articulado

Tão abrangente

E tão apresentável, de oco que é

Que dá para levá-lo para a rua

Ao encontro dos outros

Enquanto fico confortavelmente quieta

Atrás das minhas lentes de míope

Rodeada por letras e ideias

Pensamentos, ansiedades

O indefinível, o inominável, o inenarrável

O impossível, talvez

 

E ele cumpre-me com um rigor

A que nunca me atreveria

Nos seus modos excessivos

Agarra a realidade das coisas

Ajeita-se ao momento, todo fadistão

Ri e diverte-se à minha custa

Quando sabe que galgou limites

E que eu vou ficar apreensiva

 

Mas, as mais das vezes

É ele que me projecta

Numa verdade absurda

Que também é minha

E que se esquiva

Nas esquinas dos esboços

Que construi

Para realizar os meus objectivos turvos

Enleados pela lentidão de um rolamento estranho

A galgar interioridades

Como quem se abriga num telhado exíguo

Para fugir à chuva

 

 

Ana Wiesenberger

06-04-2013

 

Imagem - Magritte

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Corredores, 2015

Portugal, Meu Amor, 2014

Idades, 2012

Dias Incompletos, 2011

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D