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A Mordaça Dos Dias Atordoa-me

Samuel van Hoogstraten

 

A mordaça dos dias atordoa-me
Não escrevo; logo, não respiro
Não me reconheço nesta teia
Costumo habitar a outra
Reduto de sombras e fluxos
De pensamentos que voam
E não conhecem muros

 

Aqui os nós de tão concretos
Atam-me a vontade de ser
E sinto as horas penduradas
Num cabide abjecto, sem sentido

 

Se a única verdade de uma casa
Se reduz ao pó e à sujidade que a cobrem
Prefiro o exílio da minha caverna
Na margem do esquecimento sólido
Das exigências comezinhas e sórdidas
De um quotidiano sempre adiado

 

De tanta vozearia, tanto eco
A dar significância ao insignificante
Instalou-se em mim uma surdez pálida
Um estar sem ser - filtro desesperado
Madeiro do espírito náufrago empenhado
Em salvar o que em si vive e murmura

 

Cerro portas e janelas
Corro fechos, isolo frechas
E sucumbo à convicção da vacuidade dos meus gestos
A promiscuidade da arquitectura urbana não permite
Saborear o sossego, abarcar tranquilidade
Terei de partir mais uma vez

 

Ana Wiesenberger
30-01-2015

Imagem - Samuel Van Hoogstraten

 

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