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querotrazerapoesiaparaarua

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De Como Tão Contrário A Si

Vladimir Kush - Scissors

De como tão contrário a si
Pode ser o amor
Escreveu Camões com intemporal lucidez

 

O fogo que arde sem se ver
Deixa muita cinza pelos cantos
Palidez e frio nos dias
Morte assumida nos braços caídos
Já sem préstimo para ósculos e enlaces

 

A triste madrugada da partida
Repete-se ao longo das páginas do calendário
Nos pares, que de formosos e não seguros
Já nada resta
E se o amador na coisa amada se transformou
Perdeu a pena e o rumo
Dos olhos cor de limão que julgava bom porto
Só o travo amargo lhe enche o copo das horas

 

O tempo traz consigo inevitavelmente
As mudanças da vontade e da consciência
E esgotadas as novas artes, novo engenho para buscar
Fica apenas o colo pleno de esperança amarrotada e vã
Um não sei quê, que nasce não sei onde
E mesmo, quando até se sabe o porquê
Dói como um perene desconcerto

 

Ana Wiesenberger (in Corredores)
16-06-2015

 

Imagem – Vladimir Kush

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