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querotrazerapoesiaparaarua

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Esquilo, Esquilinho

squirrel

 

Esquilo, esquilinho
Centelha penugenta de vida
Leva-me contigo e ensina-me a leveza, a alegria
De quem só acata a autoridade da mãe natureza
Que dita a chuva, o frio e o calor em cada dia

 

Tu não conheces os minutos pardos
O peso das horas sem sentido
Os passos da solidão, do desalento
E a escuridão só te convida
Ao recolhimento útil à tua energia

 

Esquilo, esquilinho
Volta também amanhã à minha morada
Acena-me com a tua liberdade
Acolhe na tua ventura a minha alma pequenina

 

Ana Wiesenberger
26-01-2016

 

 

Quando a hora nos transforma num morcego velho

Vincent Van Gogh - Stuffed Bat

Quando a hora nos transforma num morcego velho
Demasiado débil para abraçar a noite
Com as suas asas de veludo
Deveríamos confiar o rumo dos nossos pensamentos
Ao rebanho imenso das sensações que o dia nos oferece

 

O conforto quente do café a entrar em nós de manhã
Um raio de sol que nos faz piscar os olhos
A intimidade do sorriso sincero dos amigos
Quando nos encontramos por acaso
A macieza dos lençóis a envolver o corpo
Numa embriaguez que nos conduz ao sonho
A frescura da água a acordar nos nossos rostos
Uma promessa de renovação numa nova jornada
O peso e o tilintar das chaves no bolso ou na mala
Que sabe à segurança de quem tem um abrigo
Uma parte do mundo que é só nossa
E escolhemos partilhar ou não com os demais

 

Quando a hora nos transforma num morcego velho
Deveríamos transferir o nosso espírito
Para o baloiço da infância que nos levava para alto
Muito alto
E nos fazia sentir a leveza de sermos bolas de sabão coloridas
Sopradas por um Deus de amor

 

Ana Wiesenberger
08-02-2016

Imagem – Van Gogh

 

Corredores

Corredores - capa

Corredores
Não vejo portas, mas sei
São corredores
Túneis; espaços longos, estreitos
Que vão dar a outros
Ou talvez não

 

Corredores
Estreitos, gargantas de monstros
Onde fomos parar
Sem dar por isso
De onde é preciso sair
Mas nunca
A qualquer preço

 

Corredores
Línguas confinadas que nos aprisionam
Ilusões de caminhos bifurcados
Que alguém se esqueceu de concretizar

 

Corredores
Escuros, luminosos
Breves, longos
Passagens que nos gradeiam a escolha
De ir ou ficar

 

Corredores
Que talvez nos levem ao Sol
Que talvez nos escondam na penumbra
Que talvez sejam a outra face da Lua
O outro modo de ser, estar, viver
Num entretanto contínuo
Que nos assusta
Que nos estrangula
O grito
A consciência de estarmos imersos
Perdidos na teia da razão
A suplicar um amanhã cristalino
Que já não vem

 

Ana Wiesenberger (in Corredores)

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