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querotrazerapoesiaparaarua

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Pai

O meu pai, António Franco Dias

Pai,

Os meus pulsos nunca ficaram fortes

Mas não te vou desiludir, descansa

Tenho a alma salpicada de marcas puras de leopardo

E os meus olhos míopes vêem tão bem como as águias

 

Pai,

Às vezes, receio inspirar a força do dia

Mas depois, a brisa vem

E faz-me adivinhar os murmúrios das folhas

 

Pai,

A solidão das promessas por cumprir

Abre feridas na minha pele

Mas eu não tenho medo

Hei-de hastear as minhas bandeiras bem alto

Sofrer a tortura do escárnio

Aguentar a indiferença, a má vontade

Dos que não querem pensar

 

Pai,

Quando eu perder a força e me esvair de mim,

Por favor, estende os teus braços para me amparar

Na angústia da queda, que não desejo

Só os que são esquecidos

Morrem verdadeiramente


Ana Wiesenberger      

                                           

Imagem - fotografia do meu pai

Quando Os Gritos Morrem Na Garganta

Samuel van Hoogstraten

 

Quando os gritos morrem na garganta
Sob o estrangulamento do que deve ser
Do que não pode ser

Quando as emoções são fumadas
Em cigarros de dor
Reduzidas a cinza nos cinzeiros
Ao cheiro baço que se infiltra
Em todos os cantos da casa

Quando os diálogos são iguais
Em todos os dias
Às mesmas horas
As palavras são meros semáforos
Para concretizar acções vazias
Por entre paredes derrotas
Na sua condição de lar

Quando sentes frio
E o barómetro marca uma temperatura
Amena

Quando as vozes na tua cabeça
São a agonia do silêncio em redor

Quando te desligas à noite
No abraço de um composto químico

Quando despertas sem vontade
E o café é lento a dar-te corda ao corpo

Quando encetas uma data
Com os gestos, já gastos na anterior
E nem sabes, porque o fazes

Então, existes
Mas não vives

Ana Wiesenberger
30-10-2013

 

Imagem - Samuel Van Hoogstraten

Gosto de Acordar com Vontade

Imagem da National Geographic cedida pela Nasa

 

 

Gosto de acordar com vontade

De agarrar o dia

Pendurar-me no Sol

E sugar-lhe a energia

 

Gosto de pensar que ele me leva

Ao longo das horas

Nas suas crinas douradas

E me faz ver o mundo pequenino

Numa harmonia de cores e formas

Que encanta

 

Gosto da segurança majestosa

Do seu demiurgo modo de estar

A apontar-me as flores e as searas

As árvores a rebentar em frutos

E os risos das crianças nos jardins

 

Gosto da ternura com que ele se aproxima

Dos idosos sentados nos bancos das cidades

E da forma como se insinua

Por entre as frechas tristes

Das janelas dos hospitais

Para realizar a magia de um sorriso

Num rosto dilacerado pela doença

 

Gosto, quando ele me convence

Que há um sentido perene em tudo

Que há um tempo para amar

E um tempo para morrer

 

Ana Wiesenberger

05-09-2013


Imagem - de National Geographic cedida pela Nasa

 

Os Cavalos A Correr/As Meninas a Aprender

Imgem - Reginad Marsh

Os Cavalos a Correr
As meninas a Aprender
Cabra-cega de sonhos
Bonecas mutiladas
Roupas sujas
Sapatos gastos
Dos embates em pedras
Insuspeitáveis
Fitas do cabelo desbotadas
Das horas em que as crenças
Foram fiadas
Do vão da escadas
Onde príncipes autistas
Foram aguardados
Da luz alegre do candeeiro
Sobre a cama infantil
Que sem darmos por isso
Se fundiu

Os Cavalos a Correr
As Meninas a Aprender
Qual será a mais bonita
Que se irá esconder

Patamares de estupefacientes
Rostos impávidos de vazio
Mãos pardas de tempo
Carrinhos de rolamentos desfeitos
Em acidentes absurdos
Na calçada da vida

Os Cavalos a Correr
As Meninas a Aprender
Qual será a mais néscia
Para o monstro comer

Pénis-espadas
Gravatas-nó de forca
Casas de bonecas abortadas
Na escuridão dos pensamentos

Os Cavalos a Correr
As Meninas a Aprender
Torres invisíveis
Sangue, Sémen
Nascimento, morte
Tranquilidade com vista
Para lápides limpas
Promontórios de fins apetecidos
Á sombra-mãe das árvores

Ana Wiesenberger
12-08-2013

 

Imagem - Reginald Marsh




 


Fuck All The Time I've Been Wasting

Imagem - Arthur Hughes

 

Fuck all the time I’ve been wasting

Fuck all the washing up and the dirt itself

Fuck all the tidying up and cleaning up

Fuck all the dust and the dusters, the cleaning sponges

And all

 

Fuck all the minutes and the hours

The memoirs of books and things I read

Fuck all the hopes and the ambitions

Of  what  I once felt I was

Fuck all the joy and the excitement

Of getting good grades and being recognized

By myself

By the others

By the daily routine of the Gods

 

Fuck it all

Fuck it for good

 

Fuck! There’s nothing here to remind me

Of what I once was

What I once knew

What I once wanted

 

And this is my fucking story

How fucking disappointing this is!


Ana Wiesenberger (18-11-1994)


Imagem - Arthur Hughes

Fuck All The Time I've Been Wasting

Imagem - George Grosz

 

Fuck all the time I’ve been wasting

Fuck all the washing up and the dirt itself

Fuck all the tidying up and cleaning up

Fuck all the dust and the dusters, the cleaning sponges

And all

 

Fuck all the minutes and the hours

The memoirs of books and things I read

Fuck all the hopes and the ambitions

Of  what  I once felt I was

Fuck all the joy and the excitement

Of getting good grades and being recognized

By myself

By the others

By the daily routine of the Gods

 

Fuck it all

Fuck it for good

 

Fuck! There’s nothing here to remind me

Of what I once was

What I once knew

What I once wanted

 

And this is my fucking story

How fucking disappointing this is!


Ana Wiesenberger (18-11-1994)


Imagem - George Grosz

A Vida Podia Ser Tão Simples

Imagem não identificada tirada da internet

 

 

A vida podia ser tão simples

Se não fora complicada

Se não fora estúpida

E obtusa

E tensa

E densa

E desperdiçada

Todos os anos

Todos os meses

Todos os dias

Todas as horas

Todos os momentos

Em que simplesmente

Perdemos a nossa sombra

E nem temos a coragem

De parar

Para a procurar

 

Ana Wiesenberger in IDADES


Imagem - não identificada; tirada da internet

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