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querotrazerapoesiaparaarua

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Verão

 
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Verão
Renovação do querer em mim
Nos meus braços, outros braços
No meu peito, a imensidão do desejo
De estar noutro lado
De ouvir outra música
De abarcar em mim, outro Eu
 
Lembranças do passado
Chegam até mim
Com ecos tristes
Desilusão da minha vontade fútil
Fermentada no sabor dos dias quentes
 
Não quero, que assim seja
Não quero repetir-me
Consumir-me em rumos vãos
Leviandades imaturas
 
Adolescência por terminar
No caminho para a idade da razão
Por cumprir
Embaraço comovente feito de delírio
De tanto sonhar
De tanto querer estender as mãos
Até às estrelas do céu
 
Ana Wiesenberger
 
Imagem - Edward Hopper
 

Leio Desalmadamente

Van Gogh - livros

Leio desalmadamente

Como se os livros fossem tábuas

As palavras, pregos

E só o verbo me alimentasse

A existência

 

Saboreio as ideias dos autores

Vou ao encontro das imagens

Da biografia por detrás de cada obra

E alegro-me como uma criança

Quando são vivos e acessíveis

À comunicação

 

Há os desconhecidos

Os que já conheço um pouco

Dois ou três volumes de companhia

Há os que tememos ler

Porque entram dentro de nós

E fazem estragos irreparáveis

Há os que queremos ler e não conseguimos

Porque não os encontramos

Ou porque nos encontramos

Quando para eles

Não estávamos preparados

 

E por isso, junto à minha cama

E debaixo dela

Armazeno uma profusão de estilos

E discursos

Para não ter de me erguer do leito

Para encetar o diálogo necessário

Ao tempo antes de adormecer

Com um parceiro adequado

 

Ana Wiesenberger

02-06-2015

 

A Dor É Uma Aprendizagem

Gustave Caillebotte

A dor é uma aprendizagem

Uma vereda a percorrer

Apesar do medo

 

Não é possível viver

Sem a conhecer

Uns mais; outros menos

Uns com mais coragem,

Resiliência

Outros quase envergonhados

A tentarem fugir

Como se ainda fossem crianças

E quisessem tapar a cabeça com o cobertor

Para se esconderem do monstro

Que habita a escuridão do quarto

 

Uns e outros

Mendigos errantes

Em busca da luz opaca:

Esquecimento, entorpecimento dos sentidos

Ânimo falso para prosseguir o caminho

 

Ana Wiesenberger

28-02-2021

 

Nestes Tempos Sem Rei Nem Roque

Arturo Souto

Nestes tempos sem Rei nem Roque
Já nem a quem se quer bem se acode
E só se vive bem
A mostrar o que se não tem

De resto, se calhar foi sempre assim
Mas agora com tantas redes sem fim
Descobrem-se em janelas sempre abertas
Que há muitos e muitas parvas espertas

A interioridade dilui-se na aparência
E a verdade das coisas é uma inconveniência
Ninguém tem vontade de ver o outro descomposto
Se só das uvas se louva e aprecia o mosto

E por isso, muito se vê, não obstante o pouco que se faz
As tintas da individualidade são lavadas com aguarrás
E se alguém tem o despropósito da mediocridade denunciar
Torna-se indesejável porque à vida não sabe reinar

 

Ana Wiesenberger
08-01-2019

 

Imagem – Arturo Souto

 

O Passado É Um Lastro Incómodo

DSC_0217

 

O passado é um lastro incómodo

Que atormenta o presente

Em solavancos emocionais

Que nos fazem tragar o cálice da dor

Uma e outra vez

Como ratos de labirinto massacrados

Com choques eléctricos

Nos percursos erróneos que escolhemos

Ou aceitámos vergados pela embriaguez

Do cansaço contínuo

Tantos becos sem saída

Tantas portas fechadas

 

Ana Wiesenberger

25-09-2017

 

Imagem – Jorge Pé-Curto

Corredores

Corredores - capa

Corredores
Não vejo portas, mas sei
São corredores
Túneis; espaços longos, estreitos
Que vão dar a outros
Ou talvez não

 

Corredores
Estreitos, gargantas de monstros
Onde fomos parar
Sem dar por isso
De onde é preciso sair
Mas nunca
A qualquer preço

 

Corredores
Línguas confinadas que nos aprisionam
Ilusões de caminhos bifurcados
Que alguém se esqueceu de concretizar

 

Corredores
Escuros, luminosos
Breves, longos
Passagens que nos gradeiam a escolha
De ir ou ficar

 

Corredores
Que talvez nos levem ao Sol
Que talvez nos escondam na penumbra
Que talvez sejam a outra face da Lua
O outro modo de ser, estar, viver
Num entretanto contínuo
Que nos assusta
Que nos estrangula
O grito
A consciência de estarmos imersos
Perdidos na teia da razão
A suplicar um amanhã cristalino
Que já não vem

 

Ana Wiesenberger (in Corredores)

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