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querotrazerapoesiaparaarua

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Cadáveres Adiados Vasculham Nas Cinzas dos Dias

Marc Chagall - Remembrance

Cadáveres adiados vasculham nas cinzas dos dias

O sentido perdido das coisas

Sem sentido nenhum

 

Como se uma vela pudesse eliminar a escuridão

Como se um gesto pudesse orientar a agulha da bússola

Para um paraíso artificial

 

Engolem, turvos

As promessas datadas em decomposição

E fecham os olhos, covardes

Para ignorarem os vermes; resquícios perenes da verdade

 

Nada se perde

Tudo se transforma

O Lavoisier sempre tinha razão

 

 

Ana Wiesenberger

21-03-2018

 

Imagem - Marc Chagall

As vésperas dos dias que trazem mudança

Peonies-in-Vase - Edouard Manet

As vésperas dos dias que trazem mudança
São sempre alvoroço
Uma atenção já desatenta
Um cá, que já é lá
Um olhar abrangente de um miradouro interior
Para os telhados da cidade que queremos fazer nossa
Um papel que já nos vemos a assinar
Uma farda que já existe no espelho diante de nós
Apesar de ainda aguardar o momento no cabide das horas

 

No entanto, tudo será e nada será como antecipámos
No nosso desejo de viver o gosto da passagem
O uniforme não adere bem às arestas do corpo
A assinatura sai trémula e desajeitada
O barulho incomoda-nos a vivência
E a chuva entristece o esplendor da paisagem

 

As flores roubadas ao todo do jardim
Morrem no cumprimento do dever
De embelezarem as casas
Do alto dos seus jazigos sobre as mesas
Das pessoas que as dizem amar

 

Ana Wiesenberger
30-07-2015

 

Imagem – Edouard Manet

De Como Tão Contrário A Si

Vladimir Kush - Scissors

De como tão contrário a si
Pode ser o amor
Escreveu Camões com intemporal lucidez

 

O fogo que arde sem se ver
Deixa muita cinza pelos cantos
Palidez e frio nos dias
Morte assumida nos braços caídos
Já sem préstimo para ósculos e enlaces

 

A triste madrugada da partida
Repete-se ao longo das páginas do calendário
Nos pares, que de formosos e não seguros
Já nada resta
E se o amador na coisa amada se transformou
Perdeu a pena e o rumo
Dos olhos cor de limão que julgava bom porto
Só o travo amargo lhe enche o copo das horas

 

O tempo traz consigo inevitavelmente
As mudanças da vontade e da consciência
E esgotadas as novas artes, novo engenho para buscar
Fica apenas o colo pleno de esperança amarrotada e vã
Um não sei quê, que nasce não sei onde
E mesmo, quando até se sabe o porquê
Dói como um perene desconcerto

 

Ana Wiesenberger (in Corredores)
16-06-2015

 

Imagem – Vladimir Kush

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