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querotrazerapoesiaparaarua

querotrazerapoesiaparaarua

Agora que já não estás aqui

Pai

Agora que já não estás aqui

Que tento coser os teus contornos

Nas sombras de outras velas

Que se passeiam à luz consciente da noite

Que nos traz a todos a saudade

Do que não soubemos reter

 

Passam as vozes e os momentos de outrora

Numa passerelle de vida inacabada

Ressequidos num passado de tronco morto

 

Passam as recordações do que queríamos fazer

E não conseguimos

Rolam as lágrimas pelas nossas faces desprevenidas

A esvair o calor dos dias

 

Ah, se eu pudesse

Se eu fosse capaz de franquear novamente

As portas da infância

Se eu te pudesse dizer

No meu modo desajeitado, mas exigente

Fica connosco, mais um pouco, Pai!

Temos tanto para conversar

 

Ana Wiesenberger

O Tempo dentro de nós é um fluir constante

Magritte 1

O tempo dentro de nós é um fluir constante

Onde o passado vive de mãos dadas com o devir

E se não logra furar o filtro da memória consentida

Assalta-nos em sonhos transpondo o muro frágil que erguemos

Para nos defendermos da dor de sentir o que foi e já não será

 

O sono levou-me a noite passada aos corredores da escola

O mundo de tinta, papel e crescimento onde eu era feliz

Fiz revisões dos verbos no passado numa turma

Fui buscar os testes para a seguinte à reprografia

O passo sempre apressado, os minutos sempre calculados

A vontade convicta a tecer malabarismos para afastar os escolhos

 

Noutra esquina onírica deambulei pelas ruas a gritar: Becky! Becky!

E a alegria de vê-la, de encontrá-la, depois de se ter perdido de mim

Foi tão forte que me devolveu à realidade e deixou na chávena de café

O travo amargo de uma saudade irremediável

 

Ana Wiesenberger

01-08-2018

 

Imagem – René Magritte

3 graus lá fora, mas há sol

Claude Monet - The Red Cape

3 graus lá fora, mas há sol
Amanhã já não será assim, dizem
Regressaremos à cinzentez da invernia
Com uma promessa de neve
Que se realizará ou não

 

As saudades do meu país misturam-se em mim
Com as saudades de um sol companheiro
É difícil atravessar a opacidade dos dias
Num contínuo de ausência e depressão

 

Quando a dor se faz inércia
Já nem a proximidade da tinta e do papel
Nos convidam a ser
Passeiam-se os olhos inquietos e contudo, mortos
Ou adiados num sentir alheio
Consentimento de horas sem sentido
Numa sala de espera onde não chega a nossa vez
De onde não podemos sair

 

3 graus lá fora, mas há sol
Talvez façamos um passeio diferente à tarde
Talvez consigamos enlevar a alma prisioneira
Acima dos passos rotineiros de quem só conhece
Um pátio triste com uma frecha de céu
Que de tão escasso, nos parece mentira

 

Ana Wiesenberger
13-02-2016

 

Imagem – Claude Monet

 

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