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querotrazerapoesiaparaarua

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Electrão

Jeremy Malvey

Electrão
Protão
Neutrão
Campos magnéticos perdidos na memória
Guardados no tempo das batas brancas
E do cheiro químico do laboratório
Que nos transmudava os ânimos em festa

 

Os convívios de sábado à tarde na cantina do liceu
E as primeiras meias de senhora; nylon, cor de pérola
A arranharem-me as pernas desajeitadas
Sob a saia de xadrez que me roubava o à vontade

 

Esse foi o tempo maracujá do exótico da descoberta
De que os opostos se atraem e os iguais se repelem
Embora isso só nos transtorne a vida e o estar

 

Mais tarde, a época dos espelhos, das luzes
E dos cromados das viaturas de duas e quatro rodas
Em que partíamos numa realização de som e de fúria
Que para tantos terminou em cinza

 

E agora, no tempo ameno dos lilases
Balança-se tudo na arca das recordações
E o início da jornada, o cheiro de baunilha do jardim-escola
Entranhado nas minhas narinas de menina
Já não me parece tão inócuo
Porque, afinal, delineou o meu caminho até ti
Talvez porque o cansaço de ser vermelho e preto
Me levasse a procurar o rosa que abarcava todos os nossos caprichos
E birras
Sem nunca deixar de ser um regaço de ternura, um reduto de apaziguamento
A caverna apetecida onde os nossos olhos viviam as aventuras coloridas
Que passavam no ecrã gigante da alvura da parede na nossa sala de cinema

 

Ana Wiesenberger
11-02-2015

Imagem - Jeremy Malvey

Ser Professor

Ser professor
É saber olhar e ver
Na paleta dos rostos na sala de aula
As cores a articular
Na construção da ponte para o diálogo
Entre o saber a transmitir
E a vontade individual de reter
Aprender a aprender
Suscitar o ensejo no outro
De descobrir um mundo novo
De factos, meios e modos de ver a realidade
De comunicar ideias e paisagens interiores
Ou não

 

Ser professor
É saber planear e calcular
Equações de espaço e tempo
Cansaço, desatenção e monotonia
E procurar vencer no quotidiano
A batalha das horas que não chegam
Dos recursos que escasseiam
Para ajudar a Ser
Jovens na encruzilhada das emoções
Na leveza do querer esvoaçante
Como uma bandeira ao vento
Num mastro suportado por pares e familiares
Que a idade há-de derrubar ou fortalecer
Para realizar a explosão do Eu

 

Ser professor
É saber olhar e ver
Nos semblantes alinhados diante de si
Os que mais precisam de respostas, de perguntas
Ou somente de uma mão sobre os ombros
De um sorriso de cumplicidade, de compreensão
Ou de ouvidos atentos num canto da escola


Ser professor
É saber olhar e ver
E combater no dia-a-dia a incerteza de ter sido justo
De ter dado corpo às estratégias adequadas
De ter estado vigilante
De ter agido em conformidade
De ter sido não só cérebro, mas coração
Para poder adormecer, conciliado
Pronto para a jornada do amanhã

 

Ana Wiesenberger
05-10-2014

Imagem - James Cowie

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