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querotrazerapoesiaparaarua

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Por dentro do muro das horas

Carl Vilhelm Holsoe

 

Por dentro do muro das horas
Só os livros me libertam
E acariciam-me o estar num diálogo permanente

 

Há aqueles com que desperto de manhã
E os que me embalam o corpo até ao sono
Há os que me animam na hora do cansaço crepuscular
E abafam com as suas páginas sempre certas
As dúvidas, a incerteza de ter vivido o dia

 

Gosto de me envolver com as vozes de uma Rússia feudal
Com a contenção preconceituosa de uma Inglaterra do século XIX
Com a inquietação intelectual de Paris na primeira metade do século XX
E com a magia dos contos para a infância da Alemanha ou da Dinamarca

 

E depois converso com o meu companheiro de route de todas as estações e idades
Com quem, todavia, não pude partilhar a mesa no Martinho da Arcada de outros tempos
E rimos juntos do absurdo teatral das nossas vidas impregnadas de palavras
Torturadas numa busca incessante do verbo que em nós mora e onde reside
A nossa única forma de ser

 

Ana Wiesenberger
Fevereiro 2016

 

Imagem – Carl Vilhelm Holsoe

Livros

imagem - Gerrit Van Vucht

 

Livros

Papéis pintados, talvez

Telas vivas de cores e cheiros

Que abrimos e fechamos

Ao sabor da nossa apetência

Feita de tempo e de vontade

 

Livros

Companheiros fiéis na nossa solidão

Exorcismo estilizado do nosso medo

De enfrentar o vazio

 

Livros

Que nos seguem nos percursos

Nas malas do tempo já consumido

Nos momentos entreabertos a tecer desejos

De plenitude

Nos outros que nos deixam confusos, perdidos

Às avessas de nós

 

Livros

Que oferecemos, como se fossem mensageiros

Do nosso sentir

Que guardamos na memória esbatida

Fios distintos entrelaçados na tapeçaria singular

Construída pelas nossas escolhas, as nossas viagens

Num emaranhado de sedução feito de títulos e capas

Lombadas com nomes que nos chamam em sussurro

Que nos convidam a ver a vida através de outros olhos

Noutros palcos distantes da nossa realidade

 

Livros

Que nos transtornam

Que nos despertam

Que nos libertam da apatia

Que nos abraçam na hora de Morfeu

Que nos convencem a ser iguais

Sendo únicos

 

Ana Wiesenberger

07-02-2014

 

Imagem- Gerrit Van Vucht

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