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querotrazerapoesiaparaarua

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Esqueci o som dos búzios

Mar - Fernando Pimenta

Esqueci o som dos búzios

Junto dos meus ouvidos pequeninos

O Mar! O Mar!

Como podia o mar tão grande

Caber na pequenez de uma concha recortada

 

E, no entanto, ainda hoje

Gostava de os poder escutar de novo

E acreditar

Que ali dorme o mar

 

Ana Wiesenberger (in Corredores)

Imagem - Fernando Pimenta

 

Andam Figuras Altivas, Desconhecidas

Andam figuras altivas, desconhecidas
A passear dentro de mim

 

Os sentidos embotados fazem-me crer
Que não sei, para onde ir
Ou o que fazer

 

Tacteio possibilidades no escuro da minha mente
Mas não vislumbro nada além dos pirilampos psicadélicos
Dos rostos que perdi

 

As árvores oscilam e dobram-se sobre mim
Numa carícia de orvalho fraco de Verão

 

Queria ler
Não consigo
Tenho um caldeirão cheio de palavras
A fervilhar no meu sangue

 

A tarde vem e não vem
E eu quero ir com ela
Para junto do mar

 

Porque receio ir, então?
Se anseio por mergulhar na água fria
E de facto, só é Outono no calendário

 

É talvez a vontade envergonhada de seguir
Pela estrada azul, esverdeada
Sempre a direito
Até ao meu castelo ditoso
De menina do mar

 

Ana Wiesenberger
29-09-2009

Imagem – Edmund Dulac

 

A Ausência do Mar-pátria

A ausência do mar-pátria
Desata em mim miríades de delírios
Um estar por aqui e já não estar
Um quase querer abandonar a vida
Por não poder respirar

 

A alma confinada nesta saudade imensa
Sarcófago onde adoece a esperança
Corredor lúgubre e infinito
Que me faz acreditar não haver luz
Para banhar os meus sentidos

 

Erro os olhos à volta
E nada vejo que os prenda
Adoeço presa de ecos e visões absurdas
Como se por detrás das minhas pupilas
Vivessem postais ilustrados de cores berrantes
A imporem etiquetas a eito em paisagens
Como se uma cidade, um rio, um país
Fosse aquilo
E a minha capacidade de sonhar
Estivesse amortalhada pela lente do medo
De saber-se prisioneira de um tempo mudo
Sem contornos, sem prenúncio de beleza
Um arco-íris a acontecer numa gravura
De uma infância há muito vivida
Talvez, lamentavelmente nunca esquecida
Um desejo de retocar molduras do passado
Com o sangue do sacrifício de um presente
Sempre adiado, cada vez mais irreal
Como uma vida passada
Que se pensa ter vivido
Dimensão suspensa de uma Atlântida renovada
Em anéis enfeitiçados por um Deus louco
Por lágrimas humanas

 

Ana Wiesenberger (in Corredores)
29-08-2014

Imagem - Max klinger

 

 

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