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querotrazerapoesiaparaarua

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Balanço-me Entre Dois mundos

Marie Laurencin_paintings_artodyssey  (8)

 

Balanço-me entre dois mundos
Duas línguas
Duas paisagens
Duas culturas
Um regresso anunciado
A algo em que não acredito
Um recanto de uma casa de quinta
Que era o paraíso dentro de mim
E onde o jardim me convidava a ler
Ou descansar sob a sombra amiga da cerejeira

 

Talvez os netos pulassem por entre o meu silêncio
Talvez eles quebrassem o vidro da torre invisível
Em que há muito me encerrei
Talvez eles rasgassem em mim
Véus de ternura e cuidado adormecidos
Talvez na sala houvesse uma cadeira de baloiço
À minha espera, junto à lareira nas noites de invernia

 

Mas não há tal casa e a cerejeira só permanece frondosa
Nas latitudes do meu sonho de menina que nunca abandonei
São errâncias do desejo, memórias fragmentadas de outros dias
Rumos esquecidos, páginas viradas, queimadas sob o sol dos anos
Nós que o tempo nunca logrou desfazer

 

Balanço-me intermitentemente entre fronteiras reais e imaginárias
De braços humildemente estendidos para um horizonte indistinto
Em que apenas quero ver futuro

 

Ana Wiesenberger (in Corredores)
25-10-2013

Imagem – Marie Laurencin

 

A Chuva Copiosa Bate Na Minha Janela

Oskar Kokoschka
A chuva copiosa bate na minha janela
E desata deste lado da vidraça
Uma explosão de desejos
Surgem piqueniques de livros
Saltam as tampas das caixas dos bombons
O radio assalta-me com um trecho da Flauta Mágica
E a gravura a lápis de cor de Kokoschka
Liberta os cantores imprevistos na minha sala

Foi-se a vontade de trabalhar
Subiu no ar uma fragrância hilariante
Que anima em mim resquícios de Alice à hora do chá
Na deliciosa companhia do Coelho e do Chapeleiro Louco

E depois ela pára subitamente
Sai da minha cabeça para ficar só lá fora e ser chuva trivial
E eu volto à quietude do meu espaço com olhos de Dorothy
De regresso ao Kansas
A tentar convencer-me que a magia está dentro de nós
E podemos sempre procurar o caminho para Oz
Quando sentirmos a pequenez sufocante do nosso quintal
Vedar a nossa alegria de sermos pássaros coloridos

Ana Wiesenberger
27-05-2014

Imagem - Oskar Kokoschka

Memória de Sebastião da Gama Em Fuga

Memória de Sebastião da Gama em fuga

Pelo Sonho É Que Vamos
Voando a dois tempos
Incertos e vãos
Como um sorriso de Verão
Em véspera de escola

Pelo Sonho É Que Vamos
Mansos e silenciosos
Como aves no céu
Confiantes de azul e infinito

Pelo Sonho É Que Vamos
Alargando nos dias
A vontade de estar

Pelo Sonho É Que Vamos
Estender as nossas mãos
Na esperança trémula
De abarcar os outros

Ana Wiesenberger
28-08-1994

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